Dia 17, mais um ano de vida.
e a única coisa que consigo tirar disso é que estamos num eterno balanço que vai e volta o tempo todo o qual eu faço de tudo para ir cada vez mais alto. Percebo ser uma criança que almeja somente o céu, no seu azul mais celeste, além de todas as nuvens... e que por isso cai estatelada, de cara no chão.
Mas a verdade é que o saldo final da equação é quase que desastrosa. Percebo que continuo presa aos conceitos que deixei formularem de mim e nada fiz para quebrar isso, e que agora não há mais jeito. Epítetos que marcaram e que, de certa maneira, me colou a um estereótipo e me causou efeitos estranhos que a psicologia deve conseguir explicar perfeitamente, creio. Eu que não tenho mais capacidade de mudar isso.
O amor veio e foi embora sem me dar tempo sequer de perceber o quão maravilhoso poderia ser, e quando eu corrí para pegar uma caixinha para guardá-lo e não ter o perigo de sumir... puf! Não estava mais lá... somente seu rastro de desilusão amarga que gruda na gente como brasa num ferro quente, essa parte dele nunca se vai.
A amizade se persiste apenas nos mais antigos laços, pois bem que não tiveram escolha. Senão teria conseguido afastá-los como todo o resto, conviver comigo não é mesmo algo muito fácil. Meu consolo são meus pais e minhas irmãs, que ainda aturam todas as loucuras que eu faço. Esse ponto é crucial pois bem os amo demais a ponto de não suportar imaginar uma vida sem nenhum por perto.
Com os erros? Não aprendí quase nada. Até trouxe de volta a melancolia que tanto me fez mal, na sua bagagem a velha Ana... a 246 dias constantes e doze quilos a menos.
Os meus sonhos, perco um a cada dia e noto que não me importo mais agora... desde que o mais importante se foi. Constatar que nunca, por mais que me esforçasse ia conseguir concretizar foi um veneno para o resto. Sobrou apenas o de voar muito muito longe, onde nossos olhos humanos e pequenos nunca alcançam.
Eu só sei que no fim de tudo continuo a ser aquela criança que levantou do chão, persistente de alcançar o céu. Pois pra ferida que não estanca, não fecha, não pára de doer. O remédio é sentar de novo. Olhar pro azul acima e procurar o ponto e tentar alcançar outra vez.
E inspirar. O ar.
18 de janeiro de 2009
25 de dezembro de 2008
Cont...
Depois de três dias já estava entediada. Jandira era meu refúgio e a cada dia que passava nossos vínculos ficavam mais fortes. Ela sabia quando eu não estava bem, e eu sentia quando ela estava triste por sua mãe não melhorar.
Só ela entendia o quanto era importante para mim fugir de toda a realidade e a única que me ajudava com isso também, sempre me ocupava com alguma coisa, percebeu rápido que gostava de ajudar e de fazer coisas úteis e sempre me arrumava uma. Pois que a realidade e os fatos viessem, mas com calma para que um por um fossem digeridos. Então, tentava não pensar muito naquilo tudo.
Mas uma semana depois tive um leve descuido e quando dei por mim já estava refletindo a situação (é tinha evitado até então). A situação já era degradante demais para pensar em todo o resto. Mas a verdade é que aconteceu e fiquei bem pior do que já estava ao enfrentar a realidade.
Bom, eu era uma garota que uns meses atrás estudava, e trabalhava, andando pela cidade inteira, o dia todo, hiperativa. E que agora desaparecera do mapa (bum!), sem nenhuma explicação não passava pelas mesmas ruas que caminhava todos os 365 dias do ano, que trancou a faculdado do nada, não ajudava mais o pai no serviço, e que não entrava mais em internet, não respondia e-mails e nem fazia telefonemas...
Eu agora era uma garota, que tinha uma família enorme, conhecia uma boa quantidade de gente, que morava numa cidade do interior onde todo mundo conhece todo mundo... e que estava internada no único hospital do lugar acometida de uma doença até então sem histórico na região. E ninguém perguntou onde eu estava, e ninguém se preocupou em mandar um e-mail me perguntando o motivo do sumiço, a razão da falta de notícias, o porquê do abandono... ninguém foi me ver em casa, e o celular não tocou e eu não recebi visitas em um mês de internação.
Bastou dizer para o tio que morava na mesma casa que estava viajando que mais nenhuma pergunta foi feita, questão sem interesse algum. E bastou falar para as visitas da minha mãe que não me encontrava em casa que o assunto foi encoberto por algo mais interessante. E onde estavam os colegas de bares, copos e badernas? E onde estavam os parentes? Onde estavam os amigos de faculdade? As pessoas que ela amava e que jurara amor e amizade eterna?!?
Em algum lugar da cidade... com pessoas mais importantes, interessantes, bonitas e especiais.
Mas ainda tinham duas pessoas que acreditavam em mim, meus pais. E eles e eu.. e só.
E eu chorei a noite inteira, e a manhã inteira e a tarde também... chorei por ser tão pobre de mim a ponto de ser incapaz de ser auto suficiente. Chorei por não Ser... Chorei... Choro... porque não Sou e pelo que nunca Serei.
Só ela entendia o quanto era importante para mim fugir de toda a realidade e a única que me ajudava com isso também, sempre me ocupava com alguma coisa, percebeu rápido que gostava de ajudar e de fazer coisas úteis e sempre me arrumava uma. Pois que a realidade e os fatos viessem, mas com calma para que um por um fossem digeridos. Então, tentava não pensar muito naquilo tudo.
Mas uma semana depois tive um leve descuido e quando dei por mim já estava refletindo a situação (é tinha evitado até então). A situação já era degradante demais para pensar em todo o resto. Mas a verdade é que aconteceu e fiquei bem pior do que já estava ao enfrentar a realidade.
Bom, eu era uma garota que uns meses atrás estudava, e trabalhava, andando pela cidade inteira, o dia todo, hiperativa. E que agora desaparecera do mapa (bum!), sem nenhuma explicação não passava pelas mesmas ruas que caminhava todos os 365 dias do ano, que trancou a faculdado do nada, não ajudava mais o pai no serviço, e que não entrava mais em internet, não respondia e-mails e nem fazia telefonemas...
Eu agora era uma garota, que tinha uma família enorme, conhecia uma boa quantidade de gente, que morava numa cidade do interior onde todo mundo conhece todo mundo... e que estava internada no único hospital do lugar acometida de uma doença até então sem histórico na região. E ninguém perguntou onde eu estava, e ninguém se preocupou em mandar um e-mail me perguntando o motivo do sumiço, a razão da falta de notícias, o porquê do abandono... ninguém foi me ver em casa, e o celular não tocou e eu não recebi visitas em um mês de internação.
Bastou dizer para o tio que morava na mesma casa que estava viajando que mais nenhuma pergunta foi feita, questão sem interesse algum. E bastou falar para as visitas da minha mãe que não me encontrava em casa que o assunto foi encoberto por algo mais interessante. E onde estavam os colegas de bares, copos e badernas? E onde estavam os parentes? Onde estavam os amigos de faculdade? As pessoas que ela amava e que jurara amor e amizade eterna?!?
Em algum lugar da cidade... com pessoas mais importantes, interessantes, bonitas e especiais.
Mas ainda tinham duas pessoas que acreditavam em mim, meus pais. E eles e eu.. e só.
E eu chorei a noite inteira, e a manhã inteira e a tarde também... chorei por ser tão pobre de mim a ponto de ser incapaz de ser auto suficiente. Chorei por não Ser... Chorei... Choro... porque não Sou e pelo que nunca Serei.
15 de novembro de 2008
Terceiro Dia...
Renata (a nutricionista), que significa Renascida. É engraçado como o nome às vezes combina com seus respectivos donos, mas dessa vez a pessoa que carregava proporcionava-o a mim (embora verdade seja que amassei como papel velho e joguei no lixo). Mas é realmente magnífica a vontade de que muitas pessoas teem de ajudar aos outros. Ela era uma dessas.
Conheci-a no início do 3º dia. Uma moça loira, alta, corpulenta, olhos claros e voz suave. Estava no banho já imaginando na revolta que ia soltar em cima dela, imagine uma estranha querendo escolher o que ou se eu ia comer. Mas a atitude foi outra quando saí, a verdade é que a intenção é bem desproporcional aos nossos atos. Ela conversava com Dona Ernestina, minha vizinha de leito e ao contrário dos outros que tinha encontrado pelo caminho, ela sabia escutar o que a pessoa queria. Ela não impunha simplesmente, procurava saber o que você queria e depois mostrava a opinião dela sobre e junto com o paciente chegava no melhor consenso.
A princípio, não podia comer nada sólido. Começaria mais uma vez do zero, mastigar era complicado com um cano passando na sua garganta. Mas fora levado em consideração o que queria ou não que fosse triturado em um liquidificador (eca), na minha situação era fácil manipular as pessoas e fazer exigências porque se era para comer... que fosse o que eu gostava (e como voltar a gostar de comer com papa?!? oÕ).
Mas o dia não passou rápido dessa vez, minha cabeça não trabalha bem com rotina, e era exatamente o que tinha virado. Infernal. Chorei a maior parte do tempo, até que uma acompanhante ao lado veio conversar comigo, Jandira, abracei-a a partir de então como mãe. Ela ficou do meu lado até que conseguisse adormecer, acordei no horário de visitas, com minha mãe me chamando. O rosto parecia mais tranqüilo, e Jandira veio ver como estava e conversar com minha mãe. Nascia ali uma forte amizade, umas das poucas que eu realmente tinha.
Conheci-a no início do 3º dia. Uma moça loira, alta, corpulenta, olhos claros e voz suave. Estava no banho já imaginando na revolta que ia soltar em cima dela, imagine uma estranha querendo escolher o que ou se eu ia comer. Mas a atitude foi outra quando saí, a verdade é que a intenção é bem desproporcional aos nossos atos. Ela conversava com Dona Ernestina, minha vizinha de leito e ao contrário dos outros que tinha encontrado pelo caminho, ela sabia escutar o que a pessoa queria. Ela não impunha simplesmente, procurava saber o que você queria e depois mostrava a opinião dela sobre e junto com o paciente chegava no melhor consenso.
A princípio, não podia comer nada sólido. Começaria mais uma vez do zero, mastigar era complicado com um cano passando na sua garganta. Mas fora levado em consideração o que queria ou não que fosse triturado em um liquidificador (eca), na minha situação era fácil manipular as pessoas e fazer exigências porque se era para comer... que fosse o que eu gostava (e como voltar a gostar de comer com papa?!? oÕ).
Mas o dia não passou rápido dessa vez, minha cabeça não trabalha bem com rotina, e era exatamente o que tinha virado. Infernal. Chorei a maior parte do tempo, até que uma acompanhante ao lado veio conversar comigo, Jandira, abracei-a a partir de então como mãe. Ela ficou do meu lado até que conseguisse adormecer, acordei no horário de visitas, com minha mãe me chamando. O rosto parecia mais tranqüilo, e Jandira veio ver como estava e conversar com minha mãe. Nascia ali uma forte amizade, umas das poucas que eu realmente tinha.
30 de setembro de 2008
Segundo Dia.
O segundo dia chegou como num estalo. Ainda na noite anterior decidi não incomodar mais os enfermeiros daquele lugar (como se não fosse o trabalho deles), afinal, antes que falasse qualquer coisa já tinham me picado novamente. Tinha lá minhas deduções de ser um tipo de calmante, porque depois senti com mais sono que antes... e dormi, enfim, um sono sem sonhos.
Acordei, de sobressalto, sem entender onde estava e com uma vontade de ir ao banheiro beeeeem grande. Tentei levantar, mas todos aqueles fios me puxaram de volta (uiii). Cai na real então... ainda havia o limite “eu e a cama”. Resolvi deixar o orgulho de lado e chamar alguém, e isso é um passo grande para minha personalidade auto-suficiencia (é, odeio depender das pessoas). Quinze minutos depois resolveu aparecer alguém para me ajudar, desliga aqui, tira ali, desprende daqui... não era muito fácil, e nisso se foi mais meia hora até que fosse seguro levantar sem perder nenhuma tomada em mim. Pronto, enfim, banheiro... e já que estava lá, banho. Como sempre, não olhei no espelho.
Quando saí minha mãe já estava me esperando. Ah, era bom vê-la novamente. Um rosto familiar e amigo faz falta numa hora dessas, e muita. Conversamos por muito tempo, coisas bobas que o cotidiano tinha tirado da gente. Redescobri o gosto de ter a companhia dela, falar sobre besteiras. O único assunto que ficou incógnito foi os motivos de estar ali... até a hora da visita da noite. Foi como se ela quisesse se livrar de um fardo, mas sem saber a melhor maneira de fazer. O único caminho que ela achou foi o objetivo e lançou de surpresa ‘sua irmã quer lhe visitar’... É, por essa eu não esperava mesmo (silêncio).
Então, veio à minha cabeça tudo que já tinha acontecido. Mas, como perdoá-la? Não sei se sou capaz. --- Mãe, vou pensar, dormir. Amanhã a gente fala sobre isso novamente.
Um beijo de Boa Noite (impossível naquele lugar) E se foi novamente.
Chegou a hora dos medicamentos noturnos, menos um dia... Graças a Deus (cedo demais para agradecer). Aparece uma enfermeira com mais injeções, mas uma era diferente, sem agulhas (que é isso?). As comuns foram rápidas, depois os comprimidos, retirada de sangue para exames (estavam era alimentando um Vampiro a meu custo) e por fim, a diferente. A enfermeira desligou a sonda. O que está fazendo? Nada querida, só rotina... é (nova então). Colocou no caninho que saía do meu nariz e puxou qualquer coisa do meu estômago (eca!), uma... duas.... três vezes... até me dar uma ância enorme e uma dor muito aguda. Ácido estomacal normal, ela resmungou sozinha ( e estômago e garganta mais anormal agora). Essa doeu, e me custou muito tempo até conseguir dormir. Mas acordei logo, com a dor três vezes maior e com febre. Muita dor, revirei na cama a madrugada inteira. Essa que também não ajudava muito, muitas tinham pessoas gritavam, sofriam... só eu, fiquei muda suportando sozinha.
A manhã demorou a aparecer, e a dor ainda estava presente. Os enfermeiro chegaram para o banho, mas eu continuei deitada... fui a última. Saí e a nutricionista estava do lado de fora, queria montar minha dieta. Foi aí lembrei, não havia comido nada à dois dias inteiros.
Acordei, de sobressalto, sem entender onde estava e com uma vontade de ir ao banheiro beeeeem grande. Tentei levantar, mas todos aqueles fios me puxaram de volta (uiii). Cai na real então... ainda havia o limite “eu e a cama”. Resolvi deixar o orgulho de lado e chamar alguém, e isso é um passo grande para minha personalidade auto-suficiencia (é, odeio depender das pessoas). Quinze minutos depois resolveu aparecer alguém para me ajudar, desliga aqui, tira ali, desprende daqui... não era muito fácil, e nisso se foi mais meia hora até que fosse seguro levantar sem perder nenhuma tomada em mim. Pronto, enfim, banheiro... e já que estava lá, banho. Como sempre, não olhei no espelho.
Quando saí minha mãe já estava me esperando. Ah, era bom vê-la novamente. Um rosto familiar e amigo faz falta numa hora dessas, e muita. Conversamos por muito tempo, coisas bobas que o cotidiano tinha tirado da gente. Redescobri o gosto de ter a companhia dela, falar sobre besteiras. O único assunto que ficou incógnito foi os motivos de estar ali... até a hora da visita da noite. Foi como se ela quisesse se livrar de um fardo, mas sem saber a melhor maneira de fazer. O único caminho que ela achou foi o objetivo e lançou de surpresa ‘sua irmã quer lhe visitar’... É, por essa eu não esperava mesmo (silêncio).
Então, veio à minha cabeça tudo que já tinha acontecido. Mas, como perdoá-la? Não sei se sou capaz. --- Mãe, vou pensar, dormir. Amanhã a gente fala sobre isso novamente.
Um beijo de Boa Noite (impossível naquele lugar) E se foi novamente.
Chegou a hora dos medicamentos noturnos, menos um dia... Graças a Deus (cedo demais para agradecer). Aparece uma enfermeira com mais injeções, mas uma era diferente, sem agulhas (que é isso?). As comuns foram rápidas, depois os comprimidos, retirada de sangue para exames (estavam era alimentando um Vampiro a meu custo) e por fim, a diferente. A enfermeira desligou a sonda. O que está fazendo? Nada querida, só rotina... é (nova então). Colocou no caninho que saía do meu nariz e puxou qualquer coisa do meu estômago (eca!), uma... duas.... três vezes... até me dar uma ância enorme e uma dor muito aguda. Ácido estomacal normal, ela resmungou sozinha ( e estômago e garganta mais anormal agora). Essa doeu, e me custou muito tempo até conseguir dormir. Mas acordei logo, com a dor três vezes maior e com febre. Muita dor, revirei na cama a madrugada inteira. Essa que também não ajudava muito, muitas tinham pessoas gritavam, sofriam... só eu, fiquei muda suportando sozinha.
A manhã demorou a aparecer, e a dor ainda estava presente. Os enfermeiro chegaram para o banho, mas eu continuei deitada... fui a última. Saí e a nutricionista estava do lado de fora, queria montar minha dieta. Foi aí lembrei, não havia comido nada à dois dias inteiros.
28 de setembro de 2008
Mudanças.
Tempo de mudanças...
Ieaph! \o/°
ઇઉ
Fiz um novo Blog, para colocar meus escritos de coisas recentes. Aqui tá ficando muito desorganizado... e de bagunça, basta minha vida.
Então, neste somente sobre meu passado e a Ana. Mãs, quem gostar de ler (o que eu duvido que exista) o que eu escrevo:
http://limitedelafolie.blogspot.com
Façam uma Idiota Feliz...
Comentem. ^^
Ieaph! \o/°
ઇઉ
Fiz um novo Blog, para colocar meus escritos de coisas recentes. Aqui tá ficando muito desorganizado... e de bagunça, basta minha vida.
Então, neste somente sobre meu passado e a Ana. Mãs, quem gostar de ler (o que eu duvido que exista) o que eu escrevo:
http://limitedelafolie.blogspot.com
Façam uma Idiota Feliz...
Comentem. ^^
22 de setembro de 2008
Um Ano.
Era triste: o melhor lugar do mundo seria longe dela mesma.
Um ano de internação...
quatro anos com ela.
Happy Birthday Ana. (A Mia ta com inveja)
ઇઉ
Queria esquecer, e cada vez lembro mais.
Ontem, saudade.
Hoje, vazio.
Amanhã, interrogação.
Um ano de internação...
quatro anos com ela.
Happy Birthday Ana. (A Mia ta com inveja)
ઇઉ
Queria esquecer, e cada vez lembro mais.
Ontem, saudade.
Hoje, vazio.
Amanhã, interrogação.
26 de agosto de 2008
Internação
O mais próximo de internação que tinha chegado antes daquela quinta feira, 21 de Setembro, foi para tomar soro na veia, que por sinal eram freqüentes quando era mais nova, mas não duravam mais de cinco horas. Era suportável.
Naquela ocasião, eu me movimentava com cautela, qualquer movimento deixava todo meu corpo dolorido.
Entrei enfim, no temido corredor branco. Como era frio alí, incomodava, mais do que ficar sentada naquele banco duro de madeira. "Estão Arrumando seu leito, só mais um momento", disse uma enfermeira com uma certa curiosidade no olhar que me incomodava. Grande coisa, minha vontade mesmo era sair correndo dalí, embora não tivessem janelas suficientes e a única porta me levava ao lugar que esperava não ter que visitar. A espera se fez silêncio, até a enfermeirinha voltar e falar que estava tudo pronto.
Meu coração batia em ritmo até que normal até o momento que troquei de roupa, tirei meu suéter, duas blusas, calças, o jeans, sapatos e as quase tres meias. Impossível não me sentir doente vestindo um pijama dez vezes maior do que eu. Os sentimentos eram conflitantes.
Voltei para o quarto, notei que os leitos estavam todos ocupados. Mulheres idosas e visivelmente adoentadas, não entendia o que fazia alí, muito menos elas com seus olhares atentos e curiosos. Mas o pior foi me despedir da minha mãe, ficar sozinha num lugar completamente desconhecido. Conhecí o medo pela segunda vez, temí o desconhecido. Não tinha a mínima ideia do que era "estar pronto" na cabeça daque mulher de voz artificialmente profissional. O tempo passava devagar, estava anestesiada naquele momento, viver ou morrer não me fazia muita diferença. Muito embora alguma coisa me segurava, e ainda segura, deste lado. O que eu não sei, mas o fato é que estou aquí.
Florzinha, vamos começar os exames? Ah, claro, as coisas não poderiam piorar mesmo. Poderiam sim. Começaram tirando minha pressão, extremamente baixa, depois uma agulha para retirada de sangue, exame sei lá do que, depois mais uma, mais uma, mais uma. Porra! Se essas agulhas não acabarem, meu braço e sangue vão! Enfim, o eletro, amém, iam deixar eu dormir um pouco depois disso, estava extremamente cansada já. Iam? Não mesmo.
Fizeram o eletro então uma vez... Erro! Segunda vez, erro outra vez. Quarta... você poderia tirar esses brincos, acho que eles estão atrapalhando. Não mesmo moça, tire os seus. Por fim desistiram e ficaram com o errado mesmo. Na verdade aquilo tudo não ia levar a nada. Enfim, acabou?! posso dormir. Não! Entram elas novamente, agora com um aparelhinho muito engraçado. Gostei da cor, azul bebê... Tinha uma sacolinha pendurada, eca! Parecia papa encorpada. Um caninho (caninho? Aquilo tinha mais de metro, talvez uns três se bobear) e todo o resto que elas precisariam para....para que? Ela me respondeu à medida que foi fazendo mesmo, aquilo tudo a dava uma glória visível em sua tonalidade de voz, como um médico ensina a seus estagiários o procedimento correto transparecendo seu conhecimento maior. Mesmo assim, parecia apressada, quanto antes eu recebesse aquela crosta melhor, dizia ela.:
Bom docinho, esse caninho vai passar pelo seu nariz (que?), assim (Calma porra, isso dói), até chegar no seu estômago (eu ainda tenho isso?), assim...mais um pouquinho (hei, já chegou), tá acabando (comigo, só se for). Prontinho, não doeu nada né (em você), agora só vou ligar a máquina. Ê, virei o Robocop, cheia de aparelhos, canos, líqüidos e aços. Soro no braço, marcadores no outro, sonda no nariz. Ok! Completo.
Tinha agora uma elefante dentro de mim, Deus, como aquilo tudo no meu estômagozinho de bexiguinha pesava. Mal conseguia respirar, tudo revirava, cabeça, barriga, braço. Eu posso garantir que essa não é a melhor combinação do mundo. Porque dói, dói muito . Estava literalmete restringida à minha cama. Bom, agora pelo menos podia dormir. Enfim, eu apaguei.
Socorro! Preciso ir no banheirooo!!!
Naquela ocasião, eu me movimentava com cautela, qualquer movimento deixava todo meu corpo dolorido.
Entrei enfim, no temido corredor branco. Como era frio alí, incomodava, mais do que ficar sentada naquele banco duro de madeira. "Estão Arrumando seu leito, só mais um momento", disse uma enfermeira com uma certa curiosidade no olhar que me incomodava. Grande coisa, minha vontade mesmo era sair correndo dalí, embora não tivessem janelas suficientes e a única porta me levava ao lugar que esperava não ter que visitar. A espera se fez silêncio, até a enfermeirinha voltar e falar que estava tudo pronto.
Meu coração batia em ritmo até que normal até o momento que troquei de roupa, tirei meu suéter, duas blusas, calças, o jeans, sapatos e as quase tres meias. Impossível não me sentir doente vestindo um pijama dez vezes maior do que eu. Os sentimentos eram conflitantes.
Voltei para o quarto, notei que os leitos estavam todos ocupados. Mulheres idosas e visivelmente adoentadas, não entendia o que fazia alí, muito menos elas com seus olhares atentos e curiosos. Mas o pior foi me despedir da minha mãe, ficar sozinha num lugar completamente desconhecido. Conhecí o medo pela segunda vez, temí o desconhecido. Não tinha a mínima ideia do que era "estar pronto" na cabeça daque mulher de voz artificialmente profissional. O tempo passava devagar, estava anestesiada naquele momento, viver ou morrer não me fazia muita diferença. Muito embora alguma coisa me segurava, e ainda segura, deste lado. O que eu não sei, mas o fato é que estou aquí.
Florzinha, vamos começar os exames? Ah, claro, as coisas não poderiam piorar mesmo. Poderiam sim. Começaram tirando minha pressão, extremamente baixa, depois uma agulha para retirada de sangue, exame sei lá do que, depois mais uma, mais uma, mais uma. Porra! Se essas agulhas não acabarem, meu braço e sangue vão! Enfim, o eletro, amém, iam deixar eu dormir um pouco depois disso, estava extremamente cansada já. Iam? Não mesmo.
Fizeram o eletro então uma vez... Erro! Segunda vez, erro outra vez. Quarta... você poderia tirar esses brincos, acho que eles estão atrapalhando. Não mesmo moça, tire os seus. Por fim desistiram e ficaram com o errado mesmo. Na verdade aquilo tudo não ia levar a nada. Enfim, acabou?! posso dormir. Não! Entram elas novamente, agora com um aparelhinho muito engraçado. Gostei da cor, azul bebê... Tinha uma sacolinha pendurada, eca! Parecia papa encorpada. Um caninho (caninho? Aquilo tinha mais de metro, talvez uns três se bobear) e todo o resto que elas precisariam para....para que? Ela me respondeu à medida que foi fazendo mesmo, aquilo tudo a dava uma glória visível em sua tonalidade de voz, como um médico ensina a seus estagiários o procedimento correto transparecendo seu conhecimento maior. Mesmo assim, parecia apressada, quanto antes eu recebesse aquela crosta melhor, dizia ela.:
Bom docinho, esse caninho vai passar pelo seu nariz (que?), assim (Calma porra, isso dói), até chegar no seu estômago (eu ainda tenho isso?), assim...mais um pouquinho (hei, já chegou), tá acabando (comigo, só se for). Prontinho, não doeu nada né (em você), agora só vou ligar a máquina. Ê, virei o Robocop, cheia de aparelhos, canos, líqüidos e aços. Soro no braço, marcadores no outro, sonda no nariz. Ok! Completo.
Tinha agora uma elefante dentro de mim, Deus, como aquilo tudo no meu estômagozinho de bexiguinha pesava. Mal conseguia respirar, tudo revirava, cabeça, barriga, braço. Eu posso garantir que essa não é a melhor combinação do mundo. Porque dói, dói muito . Estava literalmete restringida à minha cama. Bom, agora pelo menos podia dormir. Enfim, eu apaguei.
Socorro! Preciso ir no banheirooo!!!
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